3 de abril de 2025

O dom da esperança de sermos santos

Imagem: Freepik

Na grandiosa solenidade de Todos os Santos, celebramos o que somos como Igreja: comunhão dos Santos, como era chamada a Comunidade eclesial dos primeiros cristãos e a vocação universal à santidade de todo o Povo de Deus. Podemos afirmar, como o autor da Carta aos Hebreus, que somos levados nos ombros de gigantes e nos acompanha uma nuvem imensa de testemunhas. Desde nosso batismo, que nos lembra o nosso próprio nome do santo onomástico, e a invocação da ladainha dos Santos, que acontece antes da bênção com o óleo dos catecúmenos, tomamos consciência que não estamos sozinhos e sempre contamos com uma multidão de irmãos que venceram no certame da vida e se tornaram nossos amigos, intercessores e protetores. Eles nos impulsionam, nos chamam sempre a sermos melhores, a não nos contentarmos com uma vida fútil e medíocre, mas buscarmos sempre as coisas do alto, amando sem medida e servindo ao Reino.

Os Santos estão à nossa porta como afirma o Papa Francisco, e ao contemplar a diversidade de rostos, idades, etnias, profissões e nações de pertença, verificamos que aquela pergunta de Santo Agostinho: ‘porque não eu?’ nos convida sempre a uma vida mais plena, compassiva e frutuosa, rompendo as amarras do materialismo consumista e estéril. Charles Péguy um cristão coerente e entusiasta sempre dizia: “Há uma só tristeza, a de não ser santo!”.

A vida cristã não é um sonho inacessível ou reservado a uma elite, mas aberto a todos aqueles que se apaixonam por Cristo e decidem segui-lo sem olhar para trás. Estamos num momento de uma crise civilizatória, onde se perdem facilmente as referências, nada melhor que espelhamos aqueles cristãos místicos, pessoas inteiras, que rejeitam qualquer domínio, que aspiram a caridade e fraternidade para com todos/as, assumindo o cansaço e o sofrimentos dos mais pobres e pequenos.

Os Santos sempre se encontram “do outro lado” do mundo, o escolhido por Deus, não perseguidores, mas perseguidos, não arrogantes, mas mansos, não vendedores de fumaça, mas submetidos à verdade, não impostores, mas honestos. Peçamos insistentemente o dom da esperança de sermos santos, para renovar e transformar o mundo com a força da esperança e do amor ternura sem limites. Deus seja louvado!

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Bispo Dom Roberto Ferrería

Bispo Dom Roberto Ferrería

Bispo de Campos, Dom Roberto Francisco nasceu em Montevidéu (Uruguai). Formado em Filosofia pelo Seminário Maior de Porto Alegre (RS) e em Teologia pelo Instituto de Teologia da PUC-RS e pelo Instituto Teológico da Arquidiocese de São Sebastião (RJ). Especialista em História pela Universidade de Montevidéu e mestre em Direito Canônico pelo Instituto Superior de Direito Canônico. Ordenado sacerdote em 1989, foi sagrado bispo em 2008.

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